DF está em 4º lugar no país em número de casos de câncer de mama – Destak Jornal

O câncer de mama responde por quase um terço dos casos novos entre mulheres no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma. Grosso modo, pode-se dizer que a doença é resultado da multiplicação desordenada de células velhas da mama que, em vez de morrer, adoecem as demais.

Há diferentes tipos de tumor e são vários os fatores que contribuem para que a doença surja, mas a ciência é unanime ao afirmar que o diagnóstico precoce é a maneira mais eficaz de evitar a doença.

“Quanto menos tempo a gente der para ela se espalhar, maravilha. Por isso, que a gente insiste que as mulheres se olhem no espelho, se notem, e façam o autoexame nas mamas. E que sempre procurem seu médico para fazer o exame clínico de apalpação para procurar qualquer indício de carocinho. Se a gente achar, vamos correr para os exames, cirurgia se precisar. Isso é vida”, comenta o ginecologista Fernando Vlave.

A ida ao médico é o que possibilita o diagnóstico – que no DF, é o 4º mais frequente do Brasil, conforme a médica oncologista Érica Batista de Queiroz Rodrigues, chefe da assessoria de Política de Prevenção e Controle do Câncer da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

A previsão do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é que, até o fim do ano, 1.020 mulheres sejam diagnosticadas com câncer na capital federal – tanto na rede pública quando na particular. Segundo Érica, em abril, só no Sistema Único de Saúde (SUS), o número de casos registrados chegava a 113 só no SUS. Em 2018, no ano todo, foram 446 no SUS.

Causas

O número de ocorrências de câncer está crescendo, diz Érica, impulsionado por dois fatores bem evidentes de nossa era. Primeiro porque estamos vivendo mais. Segundo por influência de novos hábitos de vida.

“Antigamente, as mulheres não trabalhavam tanto, tinham filhos mais cedo e amamentavam, o que é um fator de proteção da mama. Hoje, têm filhos mais tarde, se tem. Além disso, há fatores como a má alimentação, que é responsável por 15% [de todos os tipos de câncer], mais que fatores genéticos, até. AS mulheres lidam com hormônios, gordura corporal, falta de atividade física, coisas que vem com a dupla ou tripla jornada, que não enfrentavam antigamente.

Outubro Rosa

É por esse conjunto de motivos que foi criado o Outubro Rosa, uma campanha publicitária com  objetivo de alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

“Tivemos muitos diagnósticos no DF, mas em 60% dos casos, o tratamento começou antes dos 60 dias, o que é positivo. A rede está preparada. Não tem fila para operar. A [fila da] mamografia está sob controle. A rede está suficiente. O que a gente precisa fazer é captar a paciente para fazer o exame e detectar a doença o quanto antes. Tudo o que a gente não quer é que elas adoeçam,” diz Érica.

Mutirão de reconstrução

Entre os próximos dias 21 e 25 de outubro, o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) sediará um mutirão de reconstrução mamária.

Médicos, enfermeiros, técnicos e outros profissionais atuarão voluntariamente para a colocação de próteses em cerca de 75 pacientes que se submeteram a mastectomia. No período, o Centro Cirúrgico do HRT estará reservado para a ação.

Tatuadores também trabalharão para a feiura de auréolas para as pacientes que já reconstruíram as mamas, com acompanhamento de profissionais do setor de Mastologia do hospital.

A aposentada Zenair do Canto passou por uma reconstrução há 12 anos e relembra, com lágrimas nos olhos, da experiência:

“Eu me senti muito forte durante todo o tratamento. Claro que sofri quando amputaram meu seio esquerdo, mas eu achava que aquilo era um ‘ferimento’ de guerra. Assim encarei. Mas quando colocaram a minha prótese, senti que tinham me dado uma medalha. Ainda hoje, olho para o meu peito e lembro para as amigas que lutaram tanto quanto, mas não tiveram o mesmo destino que eu”.

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