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Edição:
domingo, 13 de outubro de 2019

Edição: domingo, 13 de outubro de 2019


  Saúde

João Vitor Brum, especial para o Diário

 

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que a depressão é a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no mundo. Além disso, a instituição indicou que cerca de 15% da população na mesma faixa etária sofre com ansiedade ou depressão. A psicóloga Gabriela Bello, em entrevista ao Diário, destacou que esta fase da vida é uma das mais complicadas devido à grande quantidade de decisões a ser tomada e também pela falsa ideia de perfeição exposta em redes sociais, fatos que podem justificar o grande aumento nos transtornos mentais nesta faixa etária nos últimos anos.

No Brasil, é estimado que 12 milhões de pessoas tenham depressão, número que representa 5,8% da população, o maior índice entre os países da América Latina e mais alto do que a média mundial, que é de 4,4% (ou 322 milhões de pessoas). A taxa do planeta, inclusive, aumentou 18,4% na última década.

Quando se analisa o número relativo à ansiedade, o Brasil também está à frente de seus pares. Incluindo efeitos como fobias, transtornos obsessivo-compulsivos, estresses pós-traumáticos e ataques de pânico, o índice chega a 9,3% da população brasileira, representando mais de 31 milhões de pessoas.

As mulheres, ainda de acordo com a OMS, são as que mais sofrem com os dois transtornos: 7,7% enfrentam a ansiedade e 5,1% a depressão, enquanto, para os homens, ambos índices ficam em 3,6%.

Como forma de chamar a atenção da população, foi criado, em 1992, o Dia Mundial da Saúde Mental, que foi comemorado na última quinta-feira (10). Um dos principais objetivos é combater o preconceito e o estigma em torno da saúde psicológica.

– Falar de saúde mental é algo extremamente necessário. Se a pessoa não estiver com a mente sadia, ela não consegue se desenvolver em nenhum aspecto da vida, o que agrega muitos outros problemas – disse a psicóloga Gabriela Bello.

Jovens têm

A adolescência e a juventude são períodos considerados turbulentos na vida da maior parte da população. As mudanças no corpo e hormonais, as dúvidas sobre si, a busca por uma profissão, problemas de autoestima e pressões familiares e sociais estão entre os principais desafios enfrentados pelos jovens. Além disso, com a criação das redes sociais, que muitas vezes impõem padrões inatingíveis, o nível de insatisfação com a própria vida tende a se tornar maior.

Um estudo realizado pela universidade americana de Columbia indica que, nos últimos cinco anos, os casos de depressão entre pessoas de 12 a 25 anos aumentou cerca de 40%.

– Este tipo de enfermidade mental tem atingido mais os jovens e afetado um período fundamental do desenvolvimento da pessoa. A adolescência e o início da vida adulta são momentos de conquistas e decisões, de criar o mínimo de independência, tanto financeira quanto psicológica, entre outras importantes escolhas – frisou Gabriela Bello, destacando que, como cada um reage de uma forma, os transtornos desenvolvidos podem variar.

– O medo de assumir a responsabilidade pela própria vida pode gerar quadros de ansiedade, já que a pessoa se sente pressionada a tomar uma decisão rapidamente, assim como causar a depressão, “paralisando” o paciente – salientou.

A psicóloga aponta, ainda, que o alto padrão de vida – que muitas vezes não é real – imposto pelas redes sociais é mais um motivo para desencadear este tipo de transtorno.

– A falsa perfeição exposta na internet gera uma sensação de frustração, de estagnação nas pessoas, em especial nos jovens, que também sofrem com muitas cobranças nos âmbitos familiar, escolar e profissional – completou.

Suicídios aumentaram 251% em 38 anos no Brasil

O Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou, na edição de 2017, que o número de suicídios registrados no país aumentou 251% desde a primeira edição do documento, divulgada em 1979. O estado do Rio de Janeiro seguiu a tendência nacional e também apresentou aumento, mas em menor proporção: em 38 anos, o crescimento foi de 112%. Na última década, também houve aumento no Estado, de 71%.

Dentre os casos, 18% dos registros de 1979 foram com uso de arma de fogo, enquanto, em 2017, o índice caiu para 7,8%. Não há dados específicos sobre outras formas empregadas. Na primeira aferição, foram 634 casos envolvendo revólveres de um total de 3.490, e, na última, 961 pessoas utilizaram armas quando cometeram suicídio, entre 12.265 que tiraram suas vidas naquele ano.

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